Alentejo, a Terra de Onde Vem a Cortiça

Os americanos estão, definitivamente, a descobrir o Alentejo. E não é só a imprensa nova-iorquina ou da costa leste, tradicionalmente mais atenta à Europa e aos assuntos europeus, que está a abrir os olhos para uma nova e fascinante região enoturística, com a vantagem de ser mais barata do que as suas congéneres francesas ou italianas. Agora, também o “Chicago Tribune” dedicou um extenso artigo à região “de onde vêm mais rolhas de cortiça”, publicado em maio de 2016.

Michael Austin, o autor, dá-se ao trabalho de alertar os seus leitores para o facto de, sendo Portugal o líder mundial na produção de cortiça, ela provir maioritariamente do Alentejo – bem como o azeite, o porco e outros produtos naturais. De resto, Austin espanta-se por apenas 5% do total do Alentejo ser coberto por vinha. Sinal, sem dúvida, da aposta que os alentejanos fazem na qualidade, em detrimento da quantidade, bem como do facto de ser ainda uma região relativamente “nova”, sobretudo em comparação com outras regiões vitivinícolas portuguesas, como o Douro e o Dão.640px-Barragem_de_Odivelas_-_Ferreira_do_Alentejo

De uma forma detalhada, como quem escreve para um público com algum conhecimento, Austin descreve as 8 sub-regiões vinícolas do Alentejo, menciona a Denominação de Origem Controlada (facilitando aos futuros compradores a sua identificação) e refere mesmo, em português, a indicação “Vinho Regional Alentejano” para os vinhos que não sigam as regras de produção DOC.

Austin lembra os leitores do “Chicago Tribune” de que o Alentejo é parecido, não com uma Toscânia (como dizem os jornais de Nova Iorque), mas com a Dakota do Sul, um Estado americano também composto por grandes planícies de cereais, numa referência mais familiar ao “midwest” dos Estados Unidos. No entanto, as vinhas, as vilas medievais históricas, a albufeira de Alqueva e a conjugação com as grandes extensões de olival e de montado fazem com que o encanto do Alentejo deixe o Dakota a grande distância.