Alentejo: Uma Região “Bem Envelhecida, Como o Vinho”

A imprensa norte-americana está, de há um par de anos a esta parte, fascinada com o Alentejo, que se arrisca a tornar-se um novo destino favorito dos enoturistas e “backpackers” americanos – quem sabe, mais até que dos europeus. Já aqui se falou num artigo recente do “Chicago Tribune”, mas, em 2015, o “New York Times” havia dedicado um extenso artigo ao Alentejo, pela mão do cronista Eli Gottlieb.

O autor refere que a sua vinda tinha como objetivo a visita a um amigo de longa data, poeta e romântico, que havia decidido trocar a agitação nova-iorquina por um casamento com “uma rapariga portuguesa”, estabelecendo-se definitivamente no Alentejo. Ao longo do artigo, Gottlieb refere-se ao facto de o cante alentejano ter sido declarado Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO; conta o quão admirado ficou ao descobrir que os alentejanos comem toucinho de porco em grandes quantidades; e descreveu positivamente as emoções causadas pelos monumentos e vilas históricas, nomeadamente Monsaraz e Marvão, com as suas fortalezas erguidas como defesa contra Espanha – antes mesmo da formação dos Estados Unidos.5096953439_5a41df8055_b

Quanto ao vinho, o autor descreve a Adega Mayor, obra do arquiteto Siza Vieira, e uma conversa com Luís Duarte, enólogo da Herdade dos Grous, desde 2004. Duarte contou-lhe que foi dos primeiros a apostar no Alentejo, referiu que em Portugal temos 315 castas diferentes e que, de uma forma geral, os vinhos portugueses se encontram entre os mais harmoniosos e equilibrados, referindo-se, em comparação, aos vinhos do Chile e da Argentina como demasiado doces. A relação qualidade/preço foi outro dos pontos focados pelo enólogo ao jornalista americano.

Quanto ao perfil enoturístico da região, Gottlieb não tem dúvidas: na maior parte dos casos, e apesar de em 2015 já ser visível a nova onda turística em Lisboa, o Alentejo permanece genuíno e imune às tentações do “kitsch”, muitas vezes decorrentes da massificação turística. Será uma tendência que a região conseguirá manter, à medida que acorda para um novo estatuto internacional, enquanto destino de enoturismo? Só o tempo o dirá, mas preveem-se tempos interessantes para uma região “bem envelhecida, como o vinho.”